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quinta-feira, 21 de março de 2019

Respeitar o presente da equipa/dos jogadores com o futuro no horizonte


Já muito aqui se falou da necessidade de uma Ideia de Jogo por parte do treinador que, resumidamente, é um conjunto de princípios (orientadores) de jogo, absolutamente fundamentais para sustentar e dar um sentido a todas as dinâmicas, todas as decisões e toda a expressividade individual dos jogadores. São no fundo os pilares com os quais o treinador acredita estar mais perto de controlar, dominar e ganhar o jogo.

O treino tem sempre como propósito construir uma EQUIPA, no sentido de gerar interacções cada vez mais coerentes, fluídas e que dêem espaço para que cada jogador se possa expressar em campo de acordo com o seu potencial. Mesmo que não houvesse treinador a equipa iria sempre crescer qualquer coisa com o facto de jogar junta, o entrosamento iria ser cada vez maior e iria gerar-se ali uma auto-organização e uma cultura própria. Por exemplo, se o Guarda-redes (independentemente do potencial para fazer diferente) nunca tivesse tido referências de sair curto em segurança o mais provável é que não se sentisse confortável em fazê-lo mesmo com algum espaço para e por isso a saída iria sempre ser longa a não ser que os Centrais insistissem com ele ou o contrário ele querer e os DCs. ou Laterais insistirem para meter no Ponta, mas e se o Ponta não conseguisse sequer promover a segunda bola?

Talvez tenha sido daqui que se tenha pensado: "E se nomeássemos alguém para orientar isto? Para dar um sentido comum a todos?" Mas, como é óbvio, a necessidade de haver treinador não surgiu com a intenção de subtrair potencial aos jogadores, nenhum treinador que entenda o jogo quererá que isso aconteça, por mais que não seja, porque sabe que isso o afastará de triunfar. O que preenche verdadeiramente muitos treinadores é chegar a todos os jogadores do plantel e ajudá-los a crescer e a perceber/senitr que a sua evolução individual depende muito dos companheiros que os rodeiam – isto tem que ver com os tais princípios que promovem a interacção de determinada forma específica.

Queremos com isto chegar ao ponto em que o treinador que fecha todas a possibilidades do jogo na sua ideia, não está a respeitar o conceito de "Princípios". "Se são princípios é porque não são fins" (Professor Vítor Frade) e não sendo "fins" não são fechados, simplesmente procuram orientar e este orientar não é limitar, bem pelo contrário, é ampliar as possibilidades de cada jogador poder antecipar aquilo que mais ou menos poderá acontecer, pois há referenciais que permitem isso e, num jogo onde os jogadores têm que decidir em fracções de segundo, ter esta ajuda (sim estamos para ajudar) é claramente uma mais valia e eles próprios sentem isso.

Precisamente porque o treinador não limita as possibilidades do jogar da equipa aos grandes princípios, é que Guardiola dá imenso espaço para também ele se “deixar guiar” pelos seus jogadores, pelas suas qualidades e pela sua qualidade, pelo que vai aferindo no dia-a-dia. Assim, tendo Busquets, Xavi, Iniesta e Fabregas decidiu que poderia muito bem jogar num 3-4-3 de forma o poder tê-los a todos em campo e assim estar mais perto de controlar o jogo tal como o entende e como a sua equipa estava preparada para o jogar, porque isto influencia muito.

Aquilo que orienta as decisões/escolhas do treinador, tanto em termos de exercícios, como do que irá ser a semana em termos aquisitivos/recuperação e até a convocatória, o onze titular e as próprias substituições é: a sua concepção de jogo que dá uma lógica a longo prazo ao processo, é o potencial dos jogadores para crescerem nesse mesmo processo, é o adversário, é aquilo em que a partida se tornou e a necessidade de dar continuidade ou de recuperar o controlo, etc., mas também é aquilo que a equipa faz no presente e que lhe garante a possibilidade ou não de controlar/dominar o jogo, ou seja, “nós queremos caminhar neste sentido e estamos a tentar evoluir os jogadores desta forma para lhes dar mais condições para que esta identidade seja cada vez mais coerente e sem ‘dúvidas’, mas tendo em conta o que somos enquanto equipa HOJE, com que jogadores (não esquecendo os seus estados de espírito) estaremos mais perto de o fazer neste momento?”

Consideramos ser esta uma das questões mais difíceis de responder, porque se trata de avaliar constantemente e de decidir em função dos jogadores e daquilo que juntos (jogadores e treinador) fomos capazes de construir até ao “aqui e agora”, porque isso é o que somos (não somos no passado nem o futuro, somos o que somos) Conciliar isto com a importância de seguirmos o caminho que nos garanta melhorar... é esta a arte, a de misturar isto tudo e conseguir, a cada passo que a equipa vai dando (no sentido de construir uma identidade e um estilo “à prova de bala”), perceber aquilo que é necessário, em função do momento em que nos encontramos, para que os jogadores se sintam bem e consigam controlar e dominar da melhor forma possível o jogo (o próximo).

Esta sensibilidade foi a que fez o Guardiola avançar para o 3-4-3 percebendo que havia condições para o fazer sem perde de fluidez em todos os momentos e com ganhos de criatividade e de entrosamento entre todos. Noutros casos é o jogador de determinadas características e que ainda não tem o estatuto necessário e por isso mesmo, por causa desta mesma questão, o treinador sente que não será o momento, não há o mínimo de sustentabilidade do jogo da equipa para que ele possa ir e mesmo que a coisa não seja perfeita a equipa tem bases para suportar as suas debilidades.


a) programa da Sky Sports (vídeo retirado do canal do youtube “Sky Sports Football) emitido antes do início da época 2018/2019 (Agosto de 2018), entitulado “Premier League Launch 2018-2019”

segunda-feira, 18 de março de 2019

Guardiola e o "exemplo" Vincent Kompany


O que Vincent Kompany representa para a equipa e para Guardiola enquanto treinador.

Falar sobre jogadores exige que se veja além do que fazem no dia do jogo e/ou com a bola por perto. O Futebol, por não ser individual, vai muito além daquilo que um jogador faz por si só e do que faz para seu próprio benefício. Se o futebol assim fosse reduzido ao isolamento individual, e percebendo todas as lesões pelas quais passou, todas as dificuldades que um jogador com mais de 30 anos teria em se adaptar e essencialmente em deixar-se guiar para uma nova ideia de jogo, na qual se nota todo o desconforto que lhe causa, então, Kompany teria menos hipóteses de ser equacionado para ficar no plantel do Manchester City. Não nos esquecemos de todas as dificuldades que demonstra com bola na criação de espaço desde trás ("construção"), principalmente contra equipas que pressionam alto, super agressivas e que dão muito pouco espaço ao City para jogar desde trás em segurança (como o Liverpool, contra o qual o Vincent foi titular na eliminatória da Liga dos Campeões 2017/2018).

Isto deveria ser entendido por toda a gente que está "fora" da equipa, mas que, estando tão perto dos intervenientes, tem influência e pode contribuir para que os jogadores entendam que este exemplo, que é o Vincent Kompany, deveria ser algo mais frequente no futebol.

Apesar das dificuldades em dar segurança com bola o que se notou também foi que, desde a primeira época de Guardiola no City (3º Lugar na PL), quando o Capitão jogava, o central ao seu lado (Otamendi, mais vezes) jogava muito melhor: com mais à vontade com a bola, menos entradas de rompante que geralmente ou custam amarelo ou perda de duelos (1v1), mais serenidade na área a defender, etc..

Ora, isto de tornar os outros melhores pelo que se joga tem muito valor (claro que tem que se ser muito bom), mas há quem, pelo carácter, consiga ter uma enorme influência sobre os restantes colegas, nada disto pode ser ignorado num jogo colectivo. Ser um exemplo de compromisso é algo de uma importância enorme num jogador de futebol. Gostamos de olhar para o talento como a capacidade exclusiva dos jogadores resolverem problemas de forma individual, mas então aquele jogador que tem a capacidade de melhorar os outros com a sua presença, por tudo aquilo que ele representa, não será tão importante como aquele que é capaz de "rasgos" individuais? Não será que, de certa forma, esta mentalidade acaba por dar uma estabilidade para todos os outros e permite que se transcendam? Acreditámos que sim, especialmente quando vem de alguém que é um exemplo na postura e na vontade de aprender – é só ver como aos 32 continua a evoluir dentro de um estilo que, como já referimos, tantas vezes o deixou desconfortável.

É sem dúvida o jogador mais respeitado (é o capitão) e os outros verem-no dar o melhor de si quando joga “apenas” 5 minutos ou num jogo da Taça da Liga contra uma equipa do 3º escalão Inglês... "como se fosse a final da Liga dos Campeões"... Isto é muito mais importante para os colegas do que para a liderança do treinador, no sentido que eleva a fasquia da intensidade e do compromisso dentro da Equipa.


a) Conferência de imprensa (pós-jogo) de Guardiola ao serviço do Manchester City FC – Carabao Cup 2018/2019

quarta-feira, 13 de março de 2019

Guardiola: "A Condição Física não existe de forma isolada."


No seguimento do último "post" (aqui), onde Guardiola fala sobre o treino físico (para que a equipa se prepare para jogar), aprofundamos um pouco mais o tema.

Repetimos este tema, porque, no futebol, a condição física do jogador que não é fruto e/ou não está ligada a uma forma de jogar, do nosso ponto de vista, também não existe. Considerar isso é retirar deste jogo aquilo que é o essencial: a resolução de problemas segundo um referencial colectivo dado pela forma de jogar da equipa.

Até a recuperação é diferente em função da forma como se joga, porque recuperar está relacionado com o que fizemos e também é como que uma "preparação" para o que queremos voltar a fazer de forma a que o jogador (man)tenha o corpo e a mente "ágeis" para a exigência que é jogar de determinada forma. Não se trata de recuperar de/para correr, não é recuperar de/para jogar um futebol qualquer, recupera-se de/para jogar o "nosso futebol" e por isso é que a "condição física" não faz sentido (para nós) se for isolada da nossa organização enquanto equipa e do que fazemos/pretendemos fazer no dia-a-dia (com dia do jogo incluído).

Isto como que se "auto-justifica" a partir do momento em que a especificidade organizativa de uma equipa se concretiza através das decisões (com ou sem tempo para racionalizar) provenientes da mente e executadas pelos corpos dos jogadores.

Mente e corpo são um só e entendemos que devem ser treinados juntos para o mesmo, com todos os cuidados específicos que o táctico merece. E o táctico não se faz sem jogadores frescos, dos pés à cabeça, e com capacidade para jogar um futebol específico. Por isso se treina (adquirindo princípios) e se recupera (treinando) todos os dias, sendo que há uma prevalência de um sobre o outro (em função das necessidades).


a) Conferência de imprensa (pré-jogo) de Guardiola ao serviço do Manchester City FC - Premier League 2018/2019

segunda-feira, 11 de março de 2019

Guardiola e o “Treino Físico”


O que é a "melhor forma” de um jogador? O que se quererá dizer ou o que estará por detrás do facto uma equipa “não estar em forma"? Não conseguimos entender isto sem conexão com uma ideia de jogo/uma forma de jogar, entendemos a "forma" como a capacidade das equipas/os jogadores resolverem problemas e de se relacionarem de forma óptima dentro do campo, com todos orientados pelo o mesmo. Agora... se a ideia de jogo for correr mais do que os outros sem um sentido em termos de espaço/timing, de relações e do que fazer para criar problemas no adversário, então aí o treino e a "forma" terão necessariamente que ser entendidos de uma outra maneira.

Só para dar um exemplo:
- queremos uma equipa agressiva após a perda, porque identificamos que há sempre vantagens em recuperar a bola no meio campo ofensivo e atacar outra vez (apanhando assim o adversário naquele momento de se reposicionar para atacar), mas ao mesmo tempo “somos precipitados” com bola nessa zona e nunca damos tempo para que a nossa equipa "ande junta" e por isso estamos “partidos” e nunca temos gente perto da bola (no momento da perda), de forma a não dar tempo ao adversário de se (re)organizar e nos atacar. O problema aqui pode ser físico, porque realmente as distâncias que temos que correr para pressionar a bola são enormes ou então é táctico, porque está relacionado com uma incoerência entre a intenção da equipa e aquilo que faz no campo. Mudando a perspectiva, muda também a forma de resolver o problema e por isso muda o treino e o entendimento que temos do jogo e dos jogadores para o jogar.

Quando existe uma ideia de jogo complexa e que se deve manifestar fluída (sem incoerências), que necessita de ser criada, melhorada e mantida, então o tempo "escasseia" e a prioridade tem que ser "para onde movimentar?" e "quando?". A partir daqui, jogando estamos a adquirir tudo aquilo que necessitamos. Jogando e treinando nos limites, tendo respeito pelos corpos (com cérebro incluído) que temos diante de nós, para que a agilidade corporal e mental não se perca e assim possam estar frescos no dia mais importante - o dia do Jogo onde se deve manifestar o tal "pico de forma".

As palavras podem ser as mesmas, mas diferentes treinadores usam-nas com significados diferentes. "Intensidade", "ritmo", "recuperar a melhor forma", "pico de forma", etc., etc., etc.. A palavra pode ser a mesma, mas muda o conceito consoante a pessoa que a diz e a pessoa que a ouve. No que diz respeito a “picos de forma” o que se pretende, no nosso entender, é que em cada jogo haja um pico de forma da equipa e é por isso que, a cada semana, se prepara a equipa para melhorar/recuperar (em relação ao jogo anterior) só assim se poderão ter disponíveis os melhores jogadores no seu melhor momento em função até do próximo adversário. A questão que se debate é: fragmentar ou não a criação dum estilo, de uma identidade e de nuances estratégicas nas várias dimensões implicadas? Para nós não fará sentido. Para Guardiola também parece que não.



a) Conferência de imprensa de Guardiola ao serviço do Manchester City FC, pós-jogo contra o Chelsea FC, para a Community Shield 2018 (Super Taça de Inglaterra)

quarta-feira, 6 de março de 2019

Bernardo Silva – Quando a inteligência/mentalidade transformam tudo numa vantagem

A propósito do último “post” (aqui) onde Guardiola e Cruyff falam das necessidades e das vantagens que tem um jogador com um “físico mais frágil”, o Bernardo já proporcionou ao longo desta época inúmeros jogos que ilustram bem aquilo que na realidade significa o poder que a necessidade, quando associada à inteligência, tem de transformar uma aparente debilidade numa grande vantagem. Guardiola explica e Bernardo executa.


Esta capacidade do Bernardo só é possível de adquirir graças à mentalidade extraordinária que tem, de ser resiliente perante as adversidades e em contextos/experiências onde grande parte de nós se deixaria cair na frustração e na desculpa fácil. Há imensos jogadores que acabam por conseguir encontrar soluções para o “contacto físico”, mas julgam que o jogo está resolvido pela resolução dessa questão, mas o jogo é muito mais para além disso e é aqui que o Bernardo sobressai de todos os que tiveram que “provar que o fisíco não é o essencial” (claro que isto é desgastante, ver a descrença à nossa volta, mas é preciso ver para lá dela), é que ele vai mais além e quer aprender mais, não só a ultrapassar isso num contexto difícil como a Premier League, como a entender mais do jogo para lhe poder acrescentar dinâmica onde e em função do que for necessário.

Teve sucesso também no Mónaco com um treinador completamente diferente do Guardiola, em termos de estilo de jogo, portanto não depende só do treinador, mas também da mentalidade do jogador, em querer aprender de qualquer contexto, mesmo quando sentou no banco ou na bancada, durante anos na formação do Benfica. Se foi justo ou injusto não o posso dizer, talvez tenha sido por perder bolas nos duelos quando se dava ao contacto, abalroado nos treinos constantemente sem conseguir dar seguimento a nenhuma jogada, não sei mesmo, o que sei é que tudo o que viveu lhe serviu para ser melhor hoje. Felizmente não se agarrou à frustração de não jogar, e na época passada voltou a não fazê-lo, como o Guardiola disse: “jogou, mas não muitas vezes como titular.” (principalmente na primeira metade da época).



A expressão facial do Bernardo após o golo, onde ele teve que se implicar todo no contacto com o defesa do Fulham, para aproveitar (no momento certo) o desequilíbrio do adversário e assim ganhar espaço extra para ficar de frente e poder servir o Aguero no centro da área, diz muito... Isto exige sacrifício/treino diário e muito fracasso. Para além da inteligência e daquilo a que vulgarmente chamamos “talento” é necessário o TALENTO TOTAL (ver post).

Não se trata de inverter o preconceito para algo deste género: “os grandes não servem, os pequeninos é que são bons”. O que se deve procurar é acabar com o preconceito que existe, aquele do talento das medidas físicas (ou até o das medidas técnicas) e medir o talento pelo jogo todo e pela mentalidade que alimenta esse mesmo talento, que é o verdadeiro potencial.

O Bernardo não está mais forte (no sentido físico do termo), o que ele conseguiu foi perceber como usar o corpo e as qualidades que tem no momento certo para tirar vantagem do desequilíbrio/instabilidade corporal do adversário. Como poderão ver no vídeo, é humano e nem sempre consegue ter a eficácia que quer.


O essencial é que cada jogador se conheça e perceba como pode solucionar os problemas. O treino deve ser isso, uma descoberta do jogo, da equipa, dos colegas e do seu próprio corpo para resolver os problemas que o jogo coloca. Depois, é treinar, perceber que uns precisam de mais tempo para chegar a essa capacidade intuitiva de, por exemplo, perceber que o adversário está apenas com um pé no chão e por isso é o momento ideal para eu ter a minha hipótese de o desequilibrar com o meu corpo “frágil”. Milhares de pormenores que não se ensinam, mas para os quais se pode abrir a atenção, para que eles se possam orientar para a solução. Logo vem a realidade dura da queda, do ser abalroado muitas e muitas vezes e de ficar no banco, porque ainda não consegue ter eficácia.


Resta, entender a dificuldade como uma vantagem e lutar cada dia por se ser melhor. Nunca vi outra forma de um jogador/uma pessoa se transcender, é isto e acreditar que é possível.



a) conferência de imprensa de Pep Guardiola pós-jogo - Manchester City vs Fulham (Premier League 2018/2019)

b) jogo Manchester City vs Fulham (Premier League 2018/2019)

sexta-feira, 1 de março de 2019

O futebol (só) tem espaço para a inteligência


Guardiola e Cruyff sobre os jogadores "baixinhos" (ou "fracos fisicamente").

Antes do vídeo, “pensar alto” sobre algumas coisas, algo que não é novo... o que é novo é que o futebol é para quem pensa. Pois, na verdade isto também não é grande novidade, sempre foi, não sei é se havia (ou se há) essa consciência de que o futebol é mesmo algo que requer inteligência.

Já é mais do que sabido que a inteligência é específica (contextual), na medida em que está relacionada com um problema que requer que se recorra a determinadas “ferramentas” para a sua resolução. As “ferramentas”, no caso do futebol, são inúteis (por mais desenvolvidas que estejam) se não estão acompanhadas de um entendimento do jogo para que se possa ser eficiente e eficaz, a solucionar cada circunstância com a inteligência exigida, “circunstância” essa que têm espaço/tempo, bola (longe ou perto, comigo ou com outro, que até pode nem ser da minha equipa), adversários, zonas do campo (distância das balizas), colegas de equipa, emoções, adeptos, etc. (há sempre muitas mais coisas).

Tendo esta especificidade em conta, importa perceber que, sendo o futebol para todos, nem todos os tipos de futebol servem para todos da mesma maneira. Por isso é que, apesar de sentir muito maior afinidade por uma forma de controlar o jogo do que por outras, defendo sempre a diversidade de “jogares”. É isso que devemos preservar, essa percepção de que o diferente pode ser bom, ainda que não nos atraia o sentimento. Portanto, e para não perder o fio à meada, o contexto é de grande importância, porque o jogador só faz sentido quando entendido dentro de determinada equipa (uns adaptando-se melhor a coisas diferentes e outros com mais dificuldades em sair do habitat que conhecem e dominam).

O vídeo faz-nos reflectir como podem as dificuldades que se tem no "choque" com o adversário tornar-se numa vantagem, em vez de ser uma desvantagem como quase sempre se dá a entender. O aparente “déficit” pode muito bem transformar-se numa mais valia, tudo depende do "treinar para arranjar soluções" que se coordenem com as “ferramentas” que “eu” melhor domino. Importa "cair", magoar, sentir o desconforto de ser abalroado e começar a pensar (consciente ou intuitivamente) em soluções para resolver o problema. Só com uma grande alma será possível que um dia valha a pena (já dizia Fernando Pessoa).

Não faz qualquer sentido dizer que determinado jogador é bom pela quantidade enorme de km que fez num jogo, mas atenção, também não faz sentido dizer que quem joga bem não precisa de correr. Isto foi um erro que se estabeleceu para tentar contrariar uma lógica que vigora, mas deve-se tentar combater a mania da quantificação com mais entendimento do jogo e não com mais (ainda que diferente) quantificação. Porque os km são algo vazio de significado se não tiverem associada uma inteligência (um jogador), que saiba quando correr e para onde.

É nestas soluções que procuram combater as “desvantagens”, que se geram características diferentes para cada jogador e também níveis diferentes, porque nem todos solucionam o problema com a mesma eficiência/eficácia.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Mourinho e Guardiola: "Copiar-Colar" vs Produzir o Próprio Conhecimento


Podemos dizer que é "produzir o nosso conhecimento" ou "sentir o que fazemos como algo que vem de dentro de nós", a verdade é que o processo de criar algo, como “uma forma de jogar para alcançar objectivos”, é algo verdadeiramente pessoal, (neste caso colectivo) porque o treinador não o faz sozinho (há muita gente que colabora para que a ideia se incorpore e manifeste com sucesso).

Com isto, não me parece que os treinadores, Mourinho e Guardiola, queiram dizer que não nos deixemos influenciar por aquilo que existe, vivenciamos, vimos, analisamos e ao qual nos ligamos, de certa forma, sentimentalmente.

Todos temos as nossas influências, e sabendo disso as nossas ideias não deixam de ser nossas. O essencial é que essas ideias e toda a informação que nos vai influenciando se ligue e seja digerida dentro de nós. Desta forma, quando operacionalizamos e começamos a nossa criação, a ideia já vem com as nossas emoções e sentimentos, já vem com um sentido que é nosso, que é pessoal, porque foi entendido por nós, e nós lhe demos coerência (a nossa). Aquilo que antes era informação e conhecimento avulso passou ser algo pessoal que tentaremos transmitir de acordo com aquilo que são as nossas prioridades diárias e mais a longo prazo, para a criação da forma de jogar que sentimos.

Isto de "produzir o nosso próprio conhecimento" tanto serve para o "Idealizar do jogo" que pretendemos, como para a forma de levar a cabo o gerar do modelo no dia a dia com os jogadores que compõem a equipa. Temos um referencial (prévio e ao mesmo tempo orientador do processo) e temos o caminho para o alcançar. Esse caminho é construído no dia-a-dia, sendo que o ideal poderá servir para nos guiarmos e não nos perdermos, é como uma bússola que ajuda a orientar as prioridades, mas é essencialmente no dia-a-dia que vamos percebendo onde ajustar, para seguirmos o melhor caminho, na direcção mais coerente com os jogadores, com a nossa ideia e com aquilo que fomos transmitindo até aí.

O "copiar-colar" não chega, pois não nos resolve o problema imprevisto. No “aqui e agora”, com os jogadores, há que ser genuíno e manter uma linha que não gere dúvida e que no fundo seja coerente com o caminho percorrido até ao “aqui e agora”. Sem sentir e perceber é difícil transmitir e convencer.

Nota: Treinadores top têm sempre semelhanças, ainda que gostemos mais de os colocar de "costas voltadas".


a) extractos duma entrevista de Pep Guardiola (2018) para o programa “Un Nuevo Dia” do canal Telemundo

b) extractos duma entrevista de José Mourinho (2015) ao FPF360 - https://www.youtube.com/FPFutebolOficial (Canal Oficial da Federação Portuguesa de Futebol)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

"Jogar com coragem e carácter!" Pep Guardiola


A coragem (eventualmente também a garra, a vontade de ganhar) deve surgir sempre ligada a princípios que são aquilo que dá sentido a todas a emoções e que nos orientam nos bons e maus momentos. Estes dois conceitos – coragem e carácter – têm que estar sempre relacionadas com a ideia da equipa, uma vez que nos dão uma enorme capacidade de gerir as dúvidas na adversidade. No fundo, é o que nos faz acreditar que aquilo que repetimos, que treinamos sempre, que nos define como equipa diferente das outras é o que tem que se manifestar, especialmente nos momentos onde tudo nos faz questionar se não será melhor abandonarmos o que nos define em termos de valores/princípios.

É aí, no meio da ruidosa e impaciente dúvida, que assalta os seus jogadores, que o treinador procura transpirar e inspirar quem o rodeia desde a ideia e desde a crença, de forma a mudar o sentimento negativo e fazer emergir novamente o entusiasmo pelos princípios que sempre nos caracterizaram e que são no fundo o caminho que liga a equipa e por isso a coloca mais perto de ganhar. A melhor forma de dissipar as dúvidas quando não há tempo é mudando o estado de espírito e para isso muito mais do que passar informação importa passar emoções (ainda que sempre associadas a um conteúdo). Agora, não custa nada reconhecer que não é fácil mudar as más emoções de um, imagine-se de 18. Por isso é que, sem se sentir o jogo que se transmite acima de qualquer coisa, a tarefa torna-se impossível.

Optar por abandonar aquilo que sempre fomos num momento de aperto é como atirar uma moeda ao ar e perceber se isso resolve os nossos problemas. Como é óbvio, fazer isto constantemente (alterar o que somos) é não ter um rumo, é não sermos nada, é sermos (ou não sermos) algo que existe exclusivamente em função dos outros, sem nos termos a nós próprios em conta. Temos que nos assumir mais vezes (treinadores e jogadores - Equipa) como preponderantes na forma como vamos jogar, por uma questão muito simples: nós somos aquilo que se repete em todos os jogos e portanto tem que haver algo que alimente o processo a longo prazo e isso são os princípios da equipa e as características dos jogadores.

Na adversidade busquemos as emoções que nos trazem de volta àquilo que somos. Tenhamos a coragem de sustentarmos o nosso jogar na essência que nos define e a partir daí buscar as nuances que podem solucionar os problemas que os outros nos colocam.


a) o vídeo aqui publicado é um extrato do documentário “All or Nothing” lançado pelo Manchester City a 17 de Julho de 2018

sábado, 19 de janeiro de 2019

A virtude estará entre o começar e o alcançar

Como se percorre o caminho entre o Começar e o (não) Alcançar?

No seguimento do post anterior surge mais um acrescento, mais uma questão que importa colocar sempre, porque mesmo quando achamos que uma ideia está acabada, percebemos que há sempre algo que podemos acrescentar ou adaptar, como Vítor Frade diz sobre a Periodização Táctica: “Está pronta, mas não está acabada!”. Assim são as coisas complexas não lineares, vão-se moldando e melhorando sem nunca perderem a sua essência.

Será o sucesso por si só garantia de dignidade?

Ganhar (ou o processo na tentativa de) visto como um combustível que nos faz querer melhorar a cada dia é uma mais valia para crescer. Sem dúvida nenhuma que o querer triunfar nos coloca na busca constante de soluções para o fazer.
Mas “o Vencer” visto como algo que justifica todos e quaisquer meios ou soluções, mesmo que pouco meritórias, usadas para se alcançar sucesso esse que se pretende a qualquer custo, isso já me preocupa.


"No MEIO estará a virtude". Não no centro por ser o que chama a atenção e por isso nos orienta e também não é o “meio” por ser o que está entre as duas frases anteriores, naquele sentido mais vulgar de encontrar um equilíbrio entre ambas, o que se pretende é que a virtude esteja naquilo que nos “transporta daqui para acolá”. Temos que ganhar consciência da importância vital daquilo que fazemos entre o "princípio" e o "fim", entre o iniciar e o alcançar, ou seja valorizar o processo de “tentar” e aquilo que fazemos durante, só assim poderemos manter a "nossa sociedade" (aquela que vive no nosso dia-a-dia), ligada aos grandes valores.

O "meio", a viagem, a forma como fazemos o nosso caminho e o que vamos semeando nele, não nos pode ser indiferente. Não temos que ser conscientes e nem sequer o fazer propositadamente, mas é inevitável que alguém se vá cruzar com o caminho que fizemos e aí irá respirar do ar puro das árvores que entretanto foram crescendo por nosso cuidado ou então comer da fruta intoxicada que produzimos nos maus caminhos.

Valorizemos e cultivemos mais o trajecto do que o destino. Desfrutemos da viagem percebendo a sua essência.
E que o nosso ímpeto não seja só o de orientarmos pela vitória (por ser mais atractiva que ela seja no festejo), mas sim olhar para a forma como se constroem as coisas e seguir os bons valores, que o vencedor ou os que não ganharam porventura têm.
Não se trata de vitórias morais. Trata-se de entender o sucesso para lá da vitória, olhando para a intenção e a acção implicadas na sua concretização.


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Simbiose: "IDEIA do TREINADOR - QUALIDADES dos JOGADORES" Parte III



A derrota não nos muda. A derrota, como qualquer experiência, faz-nos aprender, se atentos estivermos e formos capazes de perceber o que devemos fazer, para que, com a nossa ideia e os nossos jogadores, possamos encontrar as soluções para os problemas.

É sempre o mesmo: experienciar (bons momentos ou maus momentos), perceber o porquê de ter corrido bem ou mal e aprender com isso.


- Trata-se de querer ganhar "a jogar assim" e se perder que seja "a jogar assim" e se empatar é "a jogar assim". Melhorar para "jogar melhor assim". Felicidade é ganhar "a jogar assim"... uma coisa não existe sem a outra. Não, não nos serve de qualquer maneira.
- Onde nascem os nossos valores? Crescem connosco influenciados por uma cultura que nos cerca e também por pessoas ou experiências mais particulares que nos possam ter marcado mais;


- As intenções honestas estão super desvalorizadas na sociedade, as boas são sempre e só aquelas que têm sucesso e é precisamente pelo sucesso que somos sempre julgados. Melhorar é o sucesso de todos, triunfar será o sucesso de alguns.

- Fim -

sábado, 12 de janeiro de 2019

Simbiose: "IDEIA do TREINADOR - QUALIDADES dos JOGADORES" Parte II

  

O respeito pelas características dos jogadores será sempre tido em conta, mais ainda à medida que o treinador os vai conhecendo, como é óbvio. Mas não poderá haver qualquer tipo de negociação no que aos grandes princípios diz respeito, a continuidade destes é a garantia de estabilidade e por isso de crescimento individual e colectivo. Essa ordem, dada pela operacionalização da ideia, permite que os jogadores joguem uns em função dos outros e que se vão conhecendo entre eles também (dentro dessa ordem), de forma a poderem antecipar uma série de coisas que no jogo se reflectem em mais tempo e mais espaço para poderem ser eles (segundo as suas melhores características) mais vezes.


De forma resumida, também temos o recrutamento dos jogadores que se enquadraram melhor naquilo que é o estilo de jogo da equipa e a ideia do treinador. Esta é uma parte fundamental para encurtar o tempo desta adaptação, de forma a que o treinador não tenha que perder tanta energia a convencer um jogador que não se quer deixar guiar e também para que o jogador se sinta mais “confortável” na forma de jogar da sua equipa o mais rápido possível. O "deixar-se guiar" é muito importante, assim como a capacidade do treinador convencer os jogadores, mas sem a primeira é certo que a segunda será uma tarefa impossível.O treinador e a sua ideia como um conector dos jogadores (com as suas qualidades) e da forma como ele entendem que o jogo deve ser jogado. Ainda que estejamos sempre num segundo plano, porque a decisão final é sempre do jogador (e assim deve permanecer, porque o jogador tem que ser sempre proactivo na resolução dos problemas que o jogo coloca), nós treinadores temos que assumir a tarefa de levar a cabo a nossa ideia e através dela darmos um sentido comum a todas as "cabeças" da equipa.


A importância de conhecer os jogadores que temos e essencialmente aquilo que eles são dentro do jogo que a nossa equipa joga (no presente), que não é o mesmo com uma semana de treinos ou com 4 meses, por isso é necessário ir percebendo que mudando o contexto (com o crescimento/a melhoria da forma de jogar) muda também aquilo que o jogador dá e a sua adaptação (individual) pode torná-los em jogadores mais capazes de acrescentar qualidade ao "estilo". É importante ir conhecendo e moldando, dando sempre espaço para que as qualidades que diferenciam uns jogadores dos outros possam sobressair e acrescentar qualidade ao jogo.

 

São então esses princípios que dão semelhanças às diferentes equipas que o mesmo treinador for treinando ao longo da sua carreira. Por outro lado a mudança de jogadores (com a mudança de equipa por parte desse mesmo treinador ou pelas eventuais contratações) também nos fazem identificar detalhes diferentes. Exemplos:

- tendências na forma como servem para golo;
- numa equipa maior acentuação do jogo interior do que noutra.

A estabilidade dos princípios (no percurso do treinador) tem que ser entendido como algo essencial. Não é uma teimosia, é uma necessidade, é uma crença, é um sentimento, são valores e só quando assim é se torna possível contagiar toda a gente no sentido de criar algo que nos une a todos. Mas nunca os grandes princípios interferem nas características dos jogadores, pode acontecer que o estilo promova uns mais uns jogadores em detrimento de outros, mas ao mesmo tempo é capaz de permitir que as individualidades acrescentem qualidade/imprevisibilidade/diversidade/criatividade à forma de jogar da equipa.

Continua...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Simbiose: "IDEIA do TREINADOR - QUALIDADES dos JOGADORES" Parte I


Há a qualidade do jogador e há as qualidades do jogador.

Há princípios, que orientam a equipa, e há características dos jogadores.

A adaptação (que é um processo complexo) da ideia do treinador aos jogadores, e vice-versa, pretende-se que seja uma simbiose… todos saem a ganhar.

Este processo em que o treinador procura convencer os jogadores necessita de uma certa abertura, de um deixar-se guiar por parte dos jogadores, para mais tarde se gerar uma crença que dá mais tempo e serenidade para que a equipa possa crescer com o crescimento da ideia que se concretiza na forma como se joga.

Isto é, sem dúvida, o que mais interfere na forma como a equipa joga. Por um lado a capacidade do treinador convencer os seus jogadores a ligarem-se aos seus princípios por outro as características que os jogadores têm, que são sempre muito importantes porque é no fundo o que dá imprevisibilidade e criatividade à forma de jogar. Poderíamos falar em centenas de exemplos de treinadores que não abdicam do que sentem (este SENTIR vem das entranhas) que é fundamental, mas vamos focar-nos no Pep Guardiola (tão pouco foi um acaso), recorrendo a entrevistas que foi dando ao longo dos anos, desde que assumiu o cargo de treinador do F.C.Barcelona.

Esta será a Parte I de III, onde a reflexão estará direccionada para o tema: a simbiose entre a ideia de treinador (princípios inegociáveis) e aquilo que são as características dos jogadores que irão determina a dimensão mais micro (que é o "estilo" de cada jogador) da forma de jogar, sem interferir naquilo que é o "padrão macro" do jogo que o treinador sente como sendo o melhor caminho para ganhar (que no fundo é a forma como o treinador vive, vê e entende o jogo).


Quando o grande desafio é implementar uma ideia para com ela se ganhar. Nunca pode ser de qualquer maneira ou ganhar por ganhar. Tem sempre que haver algo que nos guia. Os valores que queremos construir e ver dentro das quatro linhas são o desafio, valores que vão além dos princípios de jogo, pois também se manifestam no carácter humano.

Percebe-se também que há uma infinidade de coisas que vão exigir da ideia determinadas soluções, para que a forma de jogar se manifeste fluída e para que possamos controlar o jogo em função daquilo que, não dependendo de nós, irá criar possíveis problemas. Uma dessas influências externas pode ser a permissividade dos árbitros. Esse "critério" irá interferir na forma como o jogo se desenrola e portanto a nossa equipa terá que ser preparada para lidar com isso e ainda assim impôr aquilo que nos caracteriza como equipa (os tais macro princípios que "viajam" com o treinador).


Cada país, cada campeonato têm o seu padrão de problemas e claro que isso deve ser tido em conta nas soluções/dinâmicas a criar para resolver esses mesmos problemas. Não me refiro ao que é específico de cada adversário, refiro-me antes àquilo que se manifesta com regularidade nos adversários que compõem a competição.
Isto exige que o nosso jogar esteja preparado, para que, mais uma vez, sem nos mudarmos, nos possamos adaptar, de forma a encontrar os melhores caminhos que levam o jogo para o registo que melhor se enquadra com aquilo que somos enquanto equipa.


Perceber que o "estilo" e "ganhar quase sempre" podem caminhar juntos ou não. O que aproxima o estilo do triunfo uma grande quantidade de vezes (e que conduz a títulos conquistados) é a qualidade dos jogadores. Porque quanto maior for a qualidade dos jogadores e a harmonia deles com a ideia de jogo do treinador, maior será a eficácia daquilo que são os detalhes e por isso maior será a possibilidade de ganhar títulos. Mas para se jogar de determinada forma não é necessário ter os melhores. Um estilo manifesta-se melhor ou se preferirem manifesta-se de forma mais harmoniosa e em menos tempo, com jogadores de determinadas características, isso sem dúvida, mas não necessariamente têm que ser os melhores para que determinado estilo surja numa equipa.

Se ganhar for exclusivamente o que nos guia, sem que haja uma forma, uma identidade que sustenta a procura da vitória, acabaremos por nos perder no caminho. A ideia tem que prevalecer e essencialmente tem que existir, porque quando perdermos (toca a todos) haverá sempre algo mais importante para nos manter no caminho certo.

Continua...